SEVERINO RAMOS PRESIDENTE DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE MARI E PRESIDENTE DA RÁDIO ARAÇÁ FM.



Ele é o esposo da Profª Risonte, conhecida como Riso, pai de José e Rosimeire. Professor e Historiador, mas acima de tudo um batalhador e defensor das causas sociais. Um dos fundadores do PT e atualmente Presidente da Rádio Comunitária Araçá FM, reeleito no último domingo para mais um mandato de 3 anos, onde pretende implantar vários projetos. Nessa entrevista exclusiva ao Expresso PB, Ramos fala de sua trajetória no movimento comunitário, avalia o Governo Lula, analisa a situação da Paraíba hoje e revela os motivos pelos quais entrou na política partidária. Confira:



EPB -Ramos você já foi do Sedup e milita a anos no movimento comunitário. Como e quando isso começou?
SR. É verdade, trabalhei no SEDUP – Serviço de Educação Popular da Diocese de Guarabira por um período de 10 anos (1992 a 2002). Ingressei no movimento comunitário através da minha participação no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mari (membro – suplente da diretoria no exercício de 1981 a 1984). Depois ingressei no grupo de jovem da paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Mari; participei da PJMP – Pastoral da Juventude do Meio Popular da Diocese de Guarabira (fui inclusive da coordenação). Me “envolvi” com a Comissão Pastoral da Terra, através da minha amizade com o Padre Luis Pescamona. O que, conseqüentemente, resultou no meu envolvimento com as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs. Período no qual fundei, junto com mais 05 pessoas (inclusive a minha noiva na época e hoje minha esposa), o partido dos Trabalhadores - PT. Em seguida, fui convidado (por Adinaldo Pontes, prefeito à época) para participar do movimento comunitário na cidade. Foi quando várias associações comunitárias rurais e urbanas foram criadas; impulsionados por dois aspectos: o desejo do prefeito em “organizar” as comunidades dos bairros em associações, para atingir um segundo objetivo – ter acesso a “política do Governo SARNEY”, quando implantou o Programa do Leite (em Mari eram distribuídos diariamente 1.220 litros de leite com as famílias carentes) e outras ações, tais como: construção de sanitários, apoio a grupos produtivos, distribuição de “sopão, reforço alimentar para as crianças, etc.”. Vale ressaltar que as Associações, a época, nasceram meio que das “entranhas do governo municipal”, mas logo passaram a assumir o papel de entidades propositivas e reivindicatórias. Dando prosseguimento ao fortalecimento do movimento comunitário foi criada a Central das Associações Comunitária, da qual fiz parte da diretoria executiva. Em seguida houve um desentendimento entre a direção (não vale apena comentar), a CENTRAL “rachou” e foi criada a União das Associações Comunitária de Mari – UNACM, da qual eu fui eleito Diretor presidente por dois mandatos.

EPB -Você acha que os movimentos sociais ficaram mais engessados após o Governo Lula?
SR. Acredito que os movimentos sociais vem engessados bem antes do governo LULA. Acredito que o enfraquecimento dos movimentos sociais está mais ligado com a “opção conservadora” da igreja católica do quê com as ações de cooptação de governos progressistas ou não. Talvez o movimento que mais “sofreu” com a política do governo LULA tenha sido as Centrais Sindicais, por vários motivos que não dá para avaliar aqui.

EPB - Falando em Lula e o PT, Você é Presidente do Partido dos Trabalhadores, qual a avaliação do Governo Lula e as perspectivas diante dessa crise mundial?
SR. Para mim com petista / lulista, a gestão do presidente LULA foi e está sendo extraordinária! E como cidadão mim sinto contente em ter contribuído, mesmo que minimamente, para a mudança histórica que o nosso país estar vivenciando. Não tenho dúvida em afirmar que a história do Brasil será divida em dois momentos: antes e depois do governo popular do LULA.

EPB - Como você analisa a atual situação do Estado da Paraíba e essa indecisão política que assola o estado com a cassação do Governador Cássio?
SR. Esta é uma situação muito complexa e danosa para a nossa querida Paraíba. Acredito ser este o momento mais grave de toda a nossa história. Por que afirmo isto: nós convivemos com uma situação nunca vista no Brasil, qual seja! O governador eleito foi DENUNCIADO em uma série de crimes eleitorais. O processo fui enviado a Corte Estadual, que ANALISOU o processo, o qual foi TRANSITADO, JULGADO, e como resultado a CONDENAÇÃO do réu por duas vezes. O DENUNCIADO, agora CONDENADO na Justiça do Estado, recorreu a Suprema Corte do País. Lá, mais uma, vez o Governador teve o processo TRANSITADO, JULGADO e foi CONDENADO. Conclusão: estamos sendo administrados por uma pessoa CONDENANDA pela Justiça do nosso País. O governador da Paraíba é um criminoso! E quem sentenciou não foi um juiz de primeira entrância e sim a Suprema Corte do País, e com uma votação unânime – sete a zero. Diante de tudo isto, cabe uma pergunta: se todos nós estamos sendo administrados por um CRIMINOSO, se grande parte das nossas autoridades do Estado tendo que fazer “Continências” para ele e obedecer as suas determinações, como podem e devem se comportar os demais condenados pela Justiça, seja da Paraíba ou do Brasil?

EPB - Você tem uma história nos movimentos sociais e nunca havia pleiteado um cargo público, o que te levou a isso no ano passado?
SR. Quando decidi lançar o nome a candidato a vereador, fiz por uma questão de honra! Vale ressaltar que passei uma grande parte da minha vida criticando a postura da maioria dos políticos, principalmente, os do parlamento mirim. Afirmando que eles, via de regra, não tinham propostas e nem compromisso com a sociedade. Então decidi formatar uma candidatura, apresentar ao meu Partido e a sociedade. E deixando a modéstia à parte: apresentei a sociedade Mariense, uma proposta coerente e conseqüente à Câmara Municipal, que ficará nos “anais” da história como a mais bem elaborada proposta ao parlamento do meu município, e mais do que isto: imprimi uma marca – a de não comprar um voto de forma nenhuma. Cumpri o meu dever de cidadão!

EPB - Durante sua campanha de Vereador você foi bombardeado por setores da política mariense, inclusive por filiados do seu partido, o PT. A quem você atribui esse interesse de lhe derrotar e qual será a posição do partido com relação aos infiéis?
SR. Primeiro é bom que se diga: eu não fui derrotado! Não fui eleito e isto é muito diferente! Derrotados foram todos àqueles e àquelas que venderam e comprovaram votos. Resido no município de Mari há 35 anos e já mudei várias vezes de opiniões e abdiquei até de alguns posicionamentos, porém nunca me permiti a ser seduzido pelos afagos do poder que, geralmente, desemboca na corrupção. E é por isto que os políticos de Mari sabem que eu não estou à venda. O que os levam a ter uma verdadeira ojeriza da minha pessoa. E tão verdade o que afirmo aqui, que segundo várias pessoas que convivem diariamente no seio do poder, tem afirmado que a comemoração da “minha derrota” foi maior do que a vitória deles mesmos. Esqueceram apenas de um detalhe: eu como um cidadão comum posso agir com uma maior flexibilidade, maior liberdade e como muito mais independência. Quanto aos infiéis, é bom que se afirme: no Partido dos Trabalhadores não há guarida para estes tipos de pessoas.

EPB - Você sempre foi muito crítico nas questões políticas administrativas na cidade de Mari, tanto que na Gestão de José de Melo você fez uma dura oposição. Depois afastou-se um pouco. Qual a avaliação que você faz das gestões de Zé de Melo, Manoel Monteiro e Vera Pontes?
SR. A bem da verdade eu só fiz “oposição” a três administrações: Adnaldo Pontes, José de Melo e Marcos Martins. No caso do Sr. Manoel Monteiro e da Sra. Vera Pontes eu estava muito afastado da cena política do município. Avalio como administrações tímidas; se é que aquilo se poderia ser chamadas de administração... .

EPB - Qual a análise do Governo “Um Marco de Trabalho I e II”?
SR. O governo ‘Um marco de trabalho I e II eu sempre considerei “extremado”, ou seja: excelente em alguns aspectos e péssimos/terrível noutros. Quais os aspectos que ele (o governo) foi excelente? Em honrar rigorosamente em dia o pagamento com os funcionários públicos e fornecedores por um longo período de oito anos, a pavimentação de várias ruas, principalmente no penúltimo e último ano de mandato, entre outras edificações, sem maiores repercussões. Em que aspectos o (des) governo foi péssimo terrível: na destruição da maioria dos laços culturais do município; quando politizou todas as políticas públicas, tornando-as como se fosse uma benesse ofertada por ele e sua família; no quase abandono à saúde, quando todos os postos só “funcionavam” em horário comercial e adotou a “ambulancioterapia”, levando sofrimento a quem da saúde pública dependia; abandono do setor produtivo do município, principalmente, na zona rural; estímulo a mendicância, quando distribuía aleatoriamente dinheiro a pessoas sem adotar critérios objetivos; estímulo ao consumo de álcool, quando distribuía bebida alcoólica aos jovens nos momentos festivos e até esportivos; abandono do esporte no município. Um governo que elegeu o NEPOTISMO como sua principal bandeira, colocando toda a sua família no centro do poder; gerando assim uma enorme concentração de renda – transformando a sua família numa casta muito rica enquanto uma grande parcela da população ficou extremamente pobre. Em resumo: foi o governo do pagamento em dia e da pavimentação; do nepotismo e do apadrinhamento; do uso da máquina pública em benéfico próprio e da “Caixa Preta”, no qual a transparência e participação popular foram extirpadas de qualquer ação do seu governo.

EPB - O que você espera do Governo do Prefeito Antonio Gomes?
SR. Espero, sinceramente, que o seu governo trate das políticas públicas com seriedade e busque a valorização das pessoas como sujeitos do processo de construção de uma sociedade mais justa, solidária e participativa. E que adote algumas ações de políticas públicas estruturantes, tais como: valorização da Educação, da Geração de Renda, da Saúde, da inclusão da juventude e valorização da transparência e da participação popular.

EPB - Você atualmente preside a Rádio Comunitária Araçá FM. Segundo informações tem realizado um grande trabalho a frente da emissora, mas vem recebendo críticas ferrenhas de alguns ex-comunicadores. A quem você atribui esse processo de difamação feito por eles contra você?
SR. Aos “donos do poder” no município. Estas pessoas que tenta me caluniar são, na verdade, “inocentes úteis”’; serve a um poder que não serve a eles; são massa de manobra; boi de piranhas. Não sabem eles que a única força de equilíbrio existente no município é a Rádio Comunitária, claro, se estiver sob a responsabilidade de pessoas independentes. Imaginemos se a Araçá FM passando a servir ao poder local, quem ou que iria se contrapor aos desmandos, perseguição e até a tirania que é inerente ao poder absoluto. Eu tenho a clareza da importância que eu desempenho junto à emissora comunitária, garantindo que ela seja, além de uma escola de comunicadores popular e de vivência comunitária, em uma ferramenta de defesa dos direitos difusos da sociedade mariense e em particular das pessoas mais empobrecidas da nossa cidade.

EPB - Alguns comunicadores denunciam que você os expulsou da Rádio por perseguição política, isso é verdade?
SR. Mentira, pura mentira! Já ficou mais que provado que todos os que saíram da emissora logo após as eleições de outubro de 2008 foi por decisão deles. Pode-se até dizer que foram todos movidos pelo orgulho e pela a arrogância.

EPB - Nos bastidores comenta-se que alguns destes comunicadores afastados cobravam propina a políticos, comerciantes e empresários para elogiarem os mesmos nos seus programas. Você tem conhecimento disso? E se tem quem são eles?
SR. Prefiram não tratar deste assunto.

EPB - Eleição da Rádio, apenas uma chapa inscrita, você provavelmente presidente novamente. Quais os projetos para o futuro da emissora?
SR. Sim, fui reconduzido ao cargo por mais três anos. São os projetos que estamos trabalhando, inclusive, enviamos dois projetos para organizações internacionais. Aqueles projetos têm por finalidades contribuir com uma melhor infra-estrutura para a emissora e também contribuir no processo de capacitação e formação dos locutores e sonoplastas da emissora.

EPB - Fique a vontade para as considerações finais.
SR. Fico grato pela oportunidade. E proveito a oportunidade para parabenizá-los pela iniciativa de organizar e tornar este meio de comunicação. Me coloco a disposição de todos e todas que fazem o EXPRESSO PB para quaisquer outra colaboração que eu possa fazer. Fica o convite para os representantes do Expresso PB participarem de uma entrevista no Programa Araçá em Debate, que vai ao ar das 09:30 às 12:30 todos os sábados.

DEZ/2008-SUELI FREIRE: PREFEITA ELEITA DE LAGOA DE DENTRO

YourCompany.Com © 2003 • Privacy PolicyTerms Of Use