Segunda-Feira, 16 de Novembro de 2009
Deputado
criminoso manda matar testemunhas
O ex-deputado Wallace Souza deixa a cadeia para prestar depoimento. Abaixo,
uma das testemunhas contra ele, assassinada em Manaus
De tão incrível, audacioso e violento, o esquema criminoso
atribuído ao deputado estadual cassado Wallace Souza (PP), do Amazonas,
e a seu filho Raphael parece saído de um livro ou filme. Eles são
acusados de participar de uma organização criminosa com
mais de 40 pessoas, que usava a estrutura da Polícia Militar para
vender drogas, extorquir e matar. O Ministério Público e
a Polícia Civil ainda acusam Wallace de aproveitar as informações
privilegiadas sobre quem ia ser morto para exibir os crimes consumados
no programa policial televisivo do deputado, o Canal livre, e elevar a
audiência. Nas últimas semanas, no entanto, essa história
ficou ainda pior. Desde que Wallace foi preso, há um mês,
e à medida que as investigações do Ministério
Público e da Polícia Civil avançam, seis testemunhas
dos crimes da quadrilha foram assassinadas.
As seis vítimas eram supostos traficantes e pistoleiros ligados
ao grupo de Wallace. Delas, cinco foram assassinadas após prestar
depoimento. A sexta, Marcos Paulo Barroso, é a única que
nem estava na lista das pessoas a ser ouvidas. A polícia suspeita
que Wallace e o filho tenham ordenado os assassinatos de dentro do 1o
Batalhão de Polícia de Choque, em Manaus, onde estavam presos.
Até o dia 2 de novembro, Wallace e o filho Raphael, recém-condenado
a 11 anos de prisão, estavam juntos no Batalhão, apesar
de a permanência de pai e filho no mesmo lugar ser considerada “absurda”
pelos representantes do Ministério Público. Como o local
não tem celas, Wallace e Raphael podiam circular livremente pelas
dependências do Batalhão e receber visitas constantes de
parentes e amigos. Há dez dias, Wallace foi transferido para um
hospital por causa de problemas de saúde. Um pedido de transferência
para um presídio de segurança máxima ainda não
foi atendido.
A Justiça descobriu a existência da quadrilha há pouco
mais de um ano, quando Moacir Jorge da Costa, ex-policial militar e ex-segurança
de Wallace, foi preso por tráfico. A forma de atuação
do grupo despertou interesse internacional. Desde julho, equipes de TV
da Alemanha, da Argentina, do Chile e da França estiveram em Manaus
para fazer reportagens sobre o assunto.
Wallace dividia a apresentação do programa Canal livre com
o vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza, e seu irmão Fausto Souza,
vereador. Com o uso de bordões como “bandido bom é
bandido morto”, Wallace ganhou a fama de político que combatia
o crime. Os resultados eleitorais são inegáveis. Deputado
estadual por três mandatos consecutivos, Wallace foi o mais votado
em 2006, com 48.965 votos. No mesmo ano, Carlos Souza foi eleito deputado
federal com 147.212 votos e Fausto foi eleito vereador com pouco mais
de 6 mil votos. No dia 1o de outubro, a Assembleia Legislativa cassou
o mandato de Wallace. Os recentes assassinatos mostram que, mesmo com
Wallace preso e sem mandato, a quadrilha ainda pode ser perigosa.
Da
Redação /Com Portais.
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