Março de 2010
Damásio Junior

Ser Professor no Brasil

É uma trajetória marcada por lutas e decepções, na História da Educação Brasileira, comprovada nos sistemas e em épocas diferentes que travam o desenvolvimento da educação brasileira.

Durante, um bom período da colonização portuguesa o sistema educacional brasileiro foi organizado pelos jesuítas, inicialmente porque eles desejavam catequisar os nativos, para expandir o catolicismo, no entanto, com o tempo eles começaram a dimensionar o ensino de uma forma mais abrangente e assim conseguiram formar uma estrutura educacional que trouxe desenvolvimento pedagógico e até surgimento de vilas que se tornaram cidades, como é caso da cidade de São Paulo. Mas, por motivos políticos o Marquês de Pombal os expulsou das colônias portuguesas, entre elas o Brasil, e destruiu a estrutura deixada pelos padres jesuítas, ou seja, foi o primeiro retrocesso na educação de nosso país.

A educação no Brasil, com o tempo devido o aparecimento da imprensa parecia que iria avançar já que existia um clima de troca de idéias e questionamentos entre os "letrados" brasileiros, porém não chegou esta evolução para a população em geral, então, a educação permaneceu como sendo algo secundário.

O interessante na educação brasileira é o Período Imperial, onde foi pra mim, uma das maiores tristezas que os educadores tiveram, porque tivemos um dos imperadores, D. Pedro II, que era considerado um grande intelectual e até afirmava que se não fosse Imperador queria ser professor, no entanto, na prática nada fez pelos profissionais que ele tanto admirava.  

São muitas situações ao longo da história brasileira que demonstram a desvalorização do professor, agora, nada se compara ao que presenciamos atualmente, antes, mesmo com péssimos salários observado em algumas situações o respeito da sociedade com a categoria, hoje, verificamos á falte de respeito da maioria da sociedade brasileira com estes profissionais, que em alguns outros países são tidos no cotidiano como pessoas especiais, já aqui só são lembrados de sua importância no meio social durante o período eleitoral em discursos mentirosos que ficam distantes da prática dos seus autores quando estes chegam ao objetivo desejado.

Agora, chegamos ao cúmulo os professores brasileiros lutam a mais de 180 anos por um salário diferenciado das outras categorias, o que foi conquistado com a sanção da Lei 11738/08, em 16 de julho de 2008, e ainda, tem o questionamento sobre a referida lei no Supremo Tribunal Federal, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade 4167, movida pelos governadores do Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Ceará e do Rio Grande do Sul, a qual, já foi julgada em parte e garantiu alguns direitos aos professores mesmo assim, a maioria, os gestores públicos brasileiros não estão cumprindo a Lei 11738/08.

O pior é a falta de coragem de muitos professores em reivindicarem os seus direitos, estão sendo prejudicado, mas, preferem ficarem omissos ou aguardarem às iniciativas de outros colegas.

Acredito seriamente, que pode ser por causa da cultura originária da repressão que o povo brasileiro sofreu durante o regime militar, por conseqüência, eles pensam que não podem expressar publicamente o que pensam com medo de represálias.

Por tudo isso, a vida de professor é complicada:

Porque somos exigidos pela sociedade e não recebemos o retorno ao nível da exigência;

Porque alguns de nós quando os colegas lutam por seus direitos eles (as) ficam curtindo o dia de folga;

Porque somos prejudicados pelo sistema que não favorece para nossa qualificação;

Porque os políticos usam à educação como prioridade nos discursos, mas na prática fazem o contrário;

Porque os gestores, a maioria, divulgam informações que não são reais.

Portanto, a preocupação é que não estão dando o valor que o professor merece e assim a educação brasileira não evolui no que se refere à questão da qualidade.

Outros Artigos