LARANJAL NO CONDE: Mais um vereador da cidade estaria envolvido em esquema de funcionários fantasmas

Ao que parece a cidade litorânea do Conde tem um novo cultivo: o da laranja.

O primeiro “fazendeiro” de laranjas a ganhar repercussão na mídia paraibana foi o vereador Fernando Boca Louca, que contratava funcionários fantasmas e ficava com a maior parte dos salários dos servidores.

Agora foi a vez do vereador Malbatahan Pinto Filgueiras Neto, que também está investindo no rentável cultivo de laranjas no seu gabinete.

O vereador Malbatahan negou que esteja envolvido em qualquer esquema e que tenha recebido parte de salários dos servidores. Ele ainda afirmou que desafia qualquer pessoa a provar que ele esteja envolvido. Já o advogado de defesa do vereador Fernando Araújo, Wargla Dore, informou que o vereador está colaborando com a polícia e que deu entrada em uma petição, na Vara do Conde, para que o cliente possa fazer uma delação premiada, mas ainda aguarda retorno.

Já uma mulher que trabalhou durante a eleição para Malba, como o vereador é conhecido, contou que, depois, foi convidada para trabalhar na Câmara, sob a condição de que ficaria com R$ 400. Ela afirmou que ficou contratada por cerca de quatro meses e então pediu demissão. Segundo a ex-assessora, nesse período ela não recebeu ou endossou cheques e recebia a quantia em dinheiro, diretamente do vereador.

Um outro ex-assessor do parlamentar afirmou que tinha que dividir o salário com outros cabos eleitorais do vereador, que ia buscar o dinheiro na casa dele. No fim de 2018, ele pediu para sair do cargo. Quando a investigação se tornou pública e ele foi chamado para depor, foi procurado pela mulher e por um assessor de Malba.

Para o delegado da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil de João Pessoa, Allan Murilo Terruel, o objetivo dessa aproximação era fazer com que o ex-assessor mentisse ou negasse ser o autor de uma gravação – que circulou nas redes sociais, sobre o esquema – durante o depoimento.

Novos depoimentos

Conforme a Polícia Civil, mais pessoas procuraram a delegacia, depois que a investigação foi divulgada, em março. O vereador Fernando Araújo, conhecido como Fernando Boca Louca, confessou que a prática era comum e que, desde 2017, fez isso com pelo menos cinco assessores.

Segundo a Polícia, o parlamentar afirmou ainda que, em alguns casos, ele mesmo pegava na Câmara Municipal os cheques nominais para o pagamento dos assessores e depois depositava na própria conta. Para isso, endossava os cheques, falsificando a assinatura dos assessores.

O tesoureiro da Câmara declarou que, às vezes, eram os vereadores que retiravam os cheques e que em outras eram os assessores. Para o delegado Allan Murilo Terruel, a forma como esse pagamento era feito não permitia um controle sobre quem retirava ou quem ficava com o dinheiro.

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