O COMPUTADOR SABE! Estudo de imagem computadorizado consegue mostrar quem é gay apenas pelos traços do rosto

Cientistas acreditam que há mais informação num rosto do que pode ser percebido e interpretado pelo cérebro humano. Um estudo publicado pelo Journal of Personality and Social Psychology, e assinado por Michal Kosinski e Yilun Wang, de Stanford, afirma que um computador é capaz de inferir a orientação sexual de uma pessoa baseando-se numa fotografia do rosto.

Os cientistas treinaram o algoritmo de aprendizado com pouco om pouco mais de 130 mil fotos distintas de homens e mulheres, todos entre 18 e 40 anos. Cada imagem estava marcada com a orientação da pessoa, se hetero ou homossexual.

Analisado as características de cada rosto, e definido padrões em comum para um grupo e para o outro, os cientistas usaram redes neurais profundas para então analisar 35 mil imagens. O resultado? O computador foi capaz de atribuir a orientação sexual correta para 81% dos homens e 74% das mulheres.

Sempre que recebia cinco fotografias de cada rosto, a precisão aumentou para 91% e 83%, respectivamente. Índices superiores aos de humanos, que na mesma experiência acertaram 61% dos homens e 54% das mulheres. O classificador utilizou características faciais fixas (por exemplo, nariz) e transientes (como higienização e hidratação do rosto).

“Essas descobertas avançam nossa compreensão das origens da orientação sexual e dos limites da percepção humana”, afirmam os cientistas no estudo.

Isso abre uma discussão importante sobre a evolução da inteligência artificial para o uso de reconhecimento facial. Resultados como esse mostram que, no futuro, poderá ser possível identificar apenas pelo rosto a orientação política ou coeficiente de inteligência de cada pessoa.

“Além disso, dado que empresas e governos estão usando cada vez mais algoritmos de visão computacional para detectar traços íntimos das pessoas, nossas descobertas expõem uma ameaça à privacidade e à segurança de homens e mulheres gays”, alertam os cientistas.

Desde que o estudo foi anunciado, no ano passado, a abordagem tem sido criticada por alguns especialistas em inteligência artificial. Para eles, qualquer medida de precisão que nossa espécie possa alcançar é atribuída à sorte e à intuição e, portanto, não pode ser quantificada. Sendo assim, o algoritmo projetado imita o viés humano que prevê padrões, mas não prediz a homossexualidade.

No estudo, os cientistas afirmam ter levado em consideração a teoria hormonal da orientação sexual, uma linha de estudo da biologia que afirma que a homossexualidade está ligada a uma mudança na composição hormonal da pessoa.

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