Onix Plus Premier tem motor eficiente, mas porta-malas menor

Nova geração do sedã estreia um eficiente motor de 3 cilindros turbo e 6 airbags de série, mas com porta-malas menor em relação ao antigo Prisma. G1 avalia a versão mais cara, de R$ 76 mil, que pode até estacionar 'sozinha'

Um dos 10 carros mais mais vendidos do Brasil, o Chevrolet Prisma acaba de “subir na vida”.

Nascido em 2006 como um sedã de entrada baseado no espartano Celta, ele passou a integrar a linha Onix em 2013. Agora, o modelo chega à uma nova geração com status global, mecânica moderna e equipamentos até então só vistos em categorias superiores. Mudou inclusive de nome: Onix Plus.

Disponível a partir de R$ 54.990 na versão LT com motorização 1.0 aspirada, o Onix Plus pode chegar a R$ 76.190 no pacote Premier II com motor turbo.

O G1 andou na configuração mais completa e adianta: ele vai dar trabalho para a concorrência – incluindo o novo HB20S, apresentado menos de uma semana depois do novo Onix.

5 coisa que só quem já andou no sedã sabe:

  • O novo motor 1.0 turbo de 116 cavalos de potência dá mais agilidade e economia ao modelo;
  • Acerto mais firme da suspensão deixou o carro mais estável em relação ao antigo Prisma;
  • Banco do motorista agora fica em posição mais baixa, deixando a dirigibilidade mais prazerosa;
  • Mesmo assim, o sedã não tem vocação esportiva. Ele foca no conforto;
  • Baixos níveis de ruído e vibração em relação aos motores de 3 cilindros da concorrência compensam o atraso da marca em adotar esse tipo de propulsor.

Como anda o turbo?

A partir da versão de R$ 58.790, que recebe apenas o sobrenome “Turbo”, o Onix Plus é equipado com motor 1.0 turbo flex de 116 cavalos de potência e 16,8 kgfm de torque com etanol. Na Premier, o câmbio é um automático de 6 marchas.

Só não espere que a motorização turbinada (que não tem injeção direta como nos rivais Polo/Virtus e o novo HB20) desperte uma vocação esportiva no sedã. A GM diz que ele vai de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos, número próximo do Virtus, que faz o mesmo percurso em aproximadamente 10 segundos.

Apesar de boas acelerações e retomadas, feitas com força suficiente e sem sufoco, o conjunto prioriza o conforto com desempenho progressivo e trocas de marchas suaves. O comportamento remete até ao do “irmão maior” Cruze.

O “kick down”, quando há pressão máxima no pedal do acelerador, não empolga como no Virtus TSI – que tem 12 cavalos e 3,6 kgfm de torque a mais. O jeito mais “pacato”, no entanto, tem suas vantagens, como o consumo. Com gasolina, a marca diz que o modelo faz até 17 km/l na estrada.

Outro aspecto que dá ares mais refinados ao Onix Plus é o novo acerto de suspensão em relação ao do Prisma.

Mesmo mantendo o foco no conforto e absorvendo bem as irregularidades do solo, o ajuste está mais firme e, em conjunto com a direção elétrica mais direta, garante mais segurança e estabilidade em curvas mais fechadas e/ou em velocidades mais altas.

O banco do motorista agora está mais baixo – a posição alta dos Onix e Prisma antigos era alvo de críticas. Com o reposicionamento, é possível dirigir de forma mais prazerosa e, mesmo que esta não seja a intenção, em uma posição mais esportiva.

3 cilindros: demora recompensada

A Chevrolet foi a última marca de volume a adotar motores de três cilindros no Brasil. Se, aos olhos de alguns, a demora aparentava certo atraso tecnológico, para outros não fazia diferença – afinal, a linha Onix/Prisma ocupa a liderança há anos mesmo sem os propulsores mais modernos.

Basta ver os números da Fenabrave, a associação das concessionárias. Juntos, os agora antigos Onix e Prisma emplacavam uma média de aproximadamente 30 mil unidades por mês.

Porém, a demora serviu como um aprendizado e, consequentemente, uma vantagem para a fabricante, que teve tempo para superar as deficiências dos tricilíndricos da concorrência.

Equipado com motor 1.0 turbo câmbio automático de 6 marchas, o modelo revela ao menos 3 pontos com evolução em relação aos concorrentes com motores semelhantes – Virtus e HB20S.

O primeiro deles é o “creeping” – momento em que um carro automático se movimenta “sozinho” quando o motorista solta o pé do freio, sem acelerar. Nessa situação, a saída é suave, sem o “tranco” dado pelo rival alemão, que pode ser até perigoso no anda e para das cidades.

A vibração em marcha lenta e o ronco em acelerações mais intensas também são bastante reduzidos em relação a outros modelos de 3 cilindros, o que dá maior conforto aos ocupantes.

Mini-Cruze?

Embora a própria Chevrolet dispense o rótulo de “mini-Cruze” para o Onix Plus, as inspirações no “irmão maior” são inegáveis – inclusive no visual. Entre elas está o conjunto formado pelos faróis mais estreitos e a grade de dimensões generosas, e as lanternas que invadem a tampa do porta-malas.

A configuração Premier é a única com projetores nos faróis e luzes diurnas no para-choque, assim como a iluminação de LEDs das lanternas, inspiradas no novo Blazer, registrado no Brasil. Também é exclusividade da versão mais cara o tom de azul da unidade das imagens.

De lado se destacam as novas rodas de 16 polegadas, também com visual semelhante às utilizadas no Cruze (pacotes opcionais podem alterar o desenho ou o acabamento delas). E os vincos bem desenhados.

Curiosamente, os repetidores de seta não ficam nos (grandes) retrovisores, mas nos para-lamas.

O interior segue o refinamento da parte de fora e parece com o do Peugeot 208. Mesmo sem materiais emborrachados no painel, a composição das peças, bem como das cores e das texturas, mostram cuidado.

Na versão Premier, o acabamento mesclava preto e caramelo – a segunda cor está presente no aplique de couro das portas, na faixa central do painel e na parte superior dos bancos, que têm encosto embutido.

Carro cresceu, porta-malas diminuiu

Como já era esperado, o Onix Plus ficou maior em relação ao Prisma de segunda geração. Agora são 4,47 metros de comprimento, 2 m de largura, 1,47 m de altura e 2,6 m de distância entre-eixos.

Ele está 20 centímetros mais longo e 4 cm mais largo. O entre-eixos ganhou 7 cm, enquanto a altura diminuiu 0,7 cm.

A ideia foi dar mais conforto para os ocupantes. Quem anda atrás agora tem mais espaço para as pernas e para os ombros (que já não eram ruins na geração antiga), mas talvez possa se incomodar com os bancos dianteiros inteiriços, como no Volkswagen Up!.

Apesar do crescimento, o porta-malas foi reduzido de 500 litros de capacidade para 469 – ou seja, 31 litros a menos – equivalente a uma mala pequena de mão.

Nível de equipamentos inédito

Com a imagem prejudicada por zerar em testes do Latin NCap, em 2017, a Chevrolet apostou em segurança para a nova geração do Onix. O investimento, inclusive, já surtiu efeito: o sedã recebeu nota máxima nas novas provas da entidade.

Além de receber 17% mais aços de alta resistência na estrutura, desde a versão mais barata, tanto o hatch, quanto o sedã, têm 6 airbags, controles de estabilidade e tração, e assistente de partida em rampas de série.

Como comparação, o também recém-lançado HB20S só ganha controles de estabilidade e tração e assistente de partida em rampas na versão Evolution, de R$ 58.390, e airbags laterais na Diamond, de R$ 76.890. No total, o HB20 só pode ter 4 airbags, contra os 6 de série do Onix.

A lista de equipamentos também conta com itens de tecnologia inéditos para o segmento.]

A versão Premier II conta com alerta visual de pontos cegos, monitoramento de pressão dos pneus, sistema de estacionamento semiautônomo (que estaciona o carro “sozinho”), carregador de celular sem fio e chave presencial com partida do motor por botão.

Há também faróis automáticos com projetores e regulagem de altura, LEDs diurnos, ar-condicionado digital, piloto automático, limitador de velocidade, câmera de ré, direção elétrica, banco do motorista com regulagem de altura, bancos de couro e rodas de 16 polegadas.

A lista continua com a nova geração da central multimídia, com tela de 7 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay, e o sistema de concierge OnStar.

O Onix também é equipado com sistema de wi-fi nativo, com um chip instalado no próprio veículo, que enviará sinal para os celulares. Serão oferecidos planos de uma única operadora a partir de R$ 29,90.

E o HB20?

A briga entre Onix Plus e HB20S promete ser acirrada. Os dois chegam renovados ao mesmo tempo. Existe uma certa vantagem para o Chevrolet, que estreia uma geração totalmente nova, enquanto o Hyundai não muda a plataforma, ganhando apenas uma reestilização mais profunda.

Outro quesito em que o Onix Plus se mostra melhor é no preço da versão mais cara, R$ 76.190 no pacote Premier II, contra R$ 81.290 da configuração topo de linha do HB20S (veja todos preços do HB20).

Conclusão

Como dito no início da reportagem, do antigo Prisma não sobrou nem o nome. O novo Onix Plus ganha mecânica moderna e eficiente, acabamento caprichado, importantes itens de segurança de série e nível de equipamentos inédito na categoria.

Isso tudo ainda vem acompanhado de desenho e preços atraentes. Vai ficar complicado para a concorrência.

Com informações do G1

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