Ricardo Coutinho encomendou dossiê contra TCE para contra-atacar “chantagem”, diz delator

Uma reportagem, publicada nesta sexta-feira (20) no site O Antagonista, aponta que o ex-governador Ricardo Coutinho contratou uma empresa de inteligência para levantar “desvios de conduta” de conselheiros do Tribunal de Contas da Paraíba para contra-atacar chantagem de auditor. A informação é baseada em trecho de delação premiada do ex-dirigente da Cruz Vermelha, Daniel Gomes. Confira a matéria na íntegra:

Ricardo Coutinho encomendou dossiê contra TCE para evitar fiscalização, diz delator

Por Renan Ramalho

Em sua delação premiada, o ex-dirigente da Cruz Vermelha Daniel Gomes contou que o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho contratou uma empresa de inteligência para inibir conselheiros do Tribunal de Contas que queriam investigar um hospital do estado.

Segundo Gomes, entre 2012 e 2014, o Hospital de Trauma — gerido pela Cruz Vermelha e fonte de desvios pagos ao ex-governador, segundo as investigações da Operação Calvário — passou a receber visitas de Richard Euler Dantas de Souza, auditor do TCE.

Mas, segundo o delator, a forma de fiscalização sugeria que o auditor não queria apenas identificar irregularidades, mas também exigir que empresas fossem contratadas pelo hospital.

“Caso não fossem aceitas as imposições, o auditor apontaria irregularidades inexistentes nos serviços prestados e imputaria débitos aos gestores”, disse Daniel Gomes.

Ricardo Coutinho então mandou levantar material que poderia ser usado contra conselheiros do tribunal de contas que estivessem por trás da fiscalização — a maioria deles indicada por membros da família Cunha Lima, adversários políticos do governador.

Foi contratada a Truesafety Inteligência e Contra inteligência, que elaborou um dossiê.

O material mostrou que o auditor designado pelo TCE, Richard de Souza, quis alugar apartamentos para a Cruz Vermelha, pediu e recebeu propina e exigiu que o Hospital de Trauma fizesse um convênio com faculdade em que ele trabalhava.

De posse das informações, Ricardo Coutinho disse a Daniel Gomes que havia gostado muito e que “iria utilizar as informações no momento adequado”.

“Fato é que os procedimentos relacionados ao Hospital de Trauma passaram a ter uma tramitação diferente, bem mais lenta. Assim, até o final de 2018, apenas as contas de 2011 tinham sido julgadas e as auditorias que foram feitas depois do evento relatado deixaram de ser tão severas e também não contaram mais com a participação do auditor Richard de Souza”, narrou o delator.

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