Ministério Público vai investigar locação irregular de veículo público em Mataraca

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) vai investigar diversas irregularidades na contratação de um veículo para utilização do Conselho Tutelar do município. Na ação de improbidade proposta pelo MP, foram citados o prefeito da cidade, Egberto Coutinho Madruga, e outras duas pessoas.

A investigação foi realizada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Mamanguape, que constatou que, entre 2017 a março de 2019, a Prefeitura locou, sem licitação e de forma irregular, através de fraude, um Fiat Palio para que fosse utilizado pela Secretaria de Ação Social para auxiliar os trabalhos dos conselheiros tutelares da cidade. O veículo era de propriedade de Clovis da Silva Galvão – segundo alvo da ação civil pública -, mas estava em nome de terceiro.

Segundo a promotora de Justiça Carmem Perazzo, o nome de Clovis não poderia aparecer no contrato, por existir alguma ligação parental ou de afinidade entre ele e o atual prefeito. Por isso, o nome do cunhado dele, Silvano Felix Barbosa, foi usado para formalizar, em 2018, a contratação, através da simulação de um pregão presencial. A investigação também constatou que Clovis, valendo-se de sua influência junto ao gestor, foi contratado, também sem licitação, para organizar um evento carnavalesco no município, além de ter conseguido contratos informais para seu motorista, Elison Breno.

Outras irregularidades apuradas pela promotoria foram: a utilização do veículo locado e de um motorista da prefeitura para uso particular de Clóvis, comprometendo o trabalho do Conselho Tutelar de Mataraca e que a Prefeitura pagou, entre janeiro e março de 2019, R$ 9 mil pela locação do veículo, sem o conhecimento de Silvano, que alegou não ter assinado contrato de aditivo, nem ter prestado qualquer serviço para o Município nesse período. “Não há dúvidas de que o primeiro promovido, Clóvis Galvão, foi diretamente beneficiado pelo segundo promovido, que, na função de prefeito, agraciou o primeiro e seu motorista com empenhos e contratos falsos. Sabe-se também que a pessoa de Clovis, em razão desses benefícios perpetrados pelo prefeito, recebeu, em nome de seu cunhado, juntando os períodos de 2017 até 2019, o valor de mais de R$ 70 mil”, diz a ação.

Outras denúncias

Em maio do ano passado, o MP ajuizou uma ação contra o prefeito Egberto para que ele regularizasse as contratações de comissionados. O Expresso PB também denunciou outras irregularidades da gestão municipal. Em abril, por exemplo, denunciamos que a filha da secretária de Saúde da cidade, Kamila Gouveia de Souza, estava recebendo mais de R$ 3 mil da prefeitura enquanto fazia medicina na Bolívia

Já em março, encontramos outra irregularidade, dessa vez em licitações no município. Segundo informações públicas e o próprio Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB), licitações foram suspensas por verificação de sobrepreço. Foi identificado que a empresa licitada pertence a parentes do prefeito.

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