Dossiê encomendado por Ricardo para chantagear auditores tinha informações até de crianças

O famoso dossiê que supostamente teria sido encomendado pelo ex-governador Ricardo Coutinho para chantagear auditores e seus familiares conta com informações até de crianças. É o que aponta as investigações realizadas pelo Gaeco e a Polícia Federal no âmbito da Operação Calvário em denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

De acordo com o documento, a confecção do dossiê foi a solução encontrada pelo organização criminosa após saber da atuação do auditor do TCE, Richard Euler Dantas de Souza, um dos alvos da nova fase da Calvário. Euler tentava determinar diretamente atos de gestão nas ações da administração do hospital, em especial definir o que deveria ser terceirizado e até mesmo, com ingerência direta, impor que fossem contratadas empresas por ele indicadas.

Por outro lado, caso não fossem acatadas as imposições, o auditor, em retaliação, majoraria problemas e apontaria irregularidades inexistentes nos serviços prestados o que, por consequência, acarretaria imputação de débitos aos gestores.

Os fatos foram relatados a Ricardo, que incumbiu os então secretários estaduais Waldison Dias de Souza, Livânia Farias e Gilberto Carneiro a tarefa de resolverem a questão, ficando estes responsáveis por coordenar as ações que descortinariam as reais intenções do auditor, contudo, sem antes passar pelo crivo do ex-governador.

“A solução encontrada pela cúpula do governo foi acionar Daniel Gomes da Silva (operador da CVB-RS e IPCEP), colaborador, para que o mesmo providenciasse detalhada “investigação” sobre todos os conselheiros e parte dos auditores do TCE, bem como de seus familiares”, apontam o MP em nova denúncia.

As investigações de natureza privada sobre os conselheiros e auditores do TCE, para obtenção de informações pessoais e de familiares, apontam as investigações, tinham “o propósito de, no momento adequado, utilizá-las em desfavor dos agentes, constrangendo-os a não obstacularem a atuação da Orcrim, de forma a evitar ou retardar a atuação do órgão de controle sobre a gestão da saúde, por meio da CV, especialmente em face de fiscalizações no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena”.

 

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