Romero vai realizar São João de Campina Grande em época de período eleitoral

Enquanto a maioria dos gestores municipais no Brasil está preferindo cancelar os seus festejos juninos deste ano, para investires essas quantias vultosas no tratamento e combate a crise provocada pelo coronavírus no Brasil e no mundo. Em Campina Grande o prefeito Romero Rodrigues (PSD) e seu vice-prefeito Enivaldo Ribeiro (PP), preferiram adiar para o mês das eleições municipais o evento. Veja a trajetória de erros, cometidos pela atual gestão nos últimas sete edições da festa!

São inúmeros, os exemplos, de prefeitos pelo Brasil que preferiram utilizar os recursos dos eventos juninos para o tratamento e combate a pandemia do coronavírus, como: o gestor de Petrolina (PE), Juazeiro do Norte (CE), Vitória da Conquista (BA), Conceição do Almeida, no Recôncavo da Bahia, Natal (RN) e Mossoró (RN). “Nosso foco precisa estar todo voltado para essa luta e priorizar os investimentos na saúde”, disse o prefeito de Petrolina Miguel Coelho (MDB). “Com o decreto de calamidade pública, os eventos culturais, artísticos vão continuar todos cancelados. Vamos estender esse período para os próximos 90 dias e consequentemente o Mossoró Cidade Junina será cancelado. Os recursos destinados a essas atividades serão priorizados principalmente para a saúde.”, explica prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini.

Em contraponto Romero, preferiu gastar milhões com shows em pleno período eleitoral no mês de outubro, o que inclusive fere a legislação eleitoral vigente. O prefeito Romero, inclusive foi duramente criticado nas suas redes sociais, durante a Live que fez anunciando o São João para o período das eleições e por não destinar tais recursos para a saúde nesse momento de pandemia. Esse, porém não, parece ter sido o único erro da gestão Romero na condução do evento nos últimos sete anos.

Desprezo e calote nos artistas – Vejamos o que ocorreu nos últimos anos. Desde 2013, quando assumiu a gestão, o prefeito Romero Rodrigues e seus demais apoiadores vêm sendo severamente criticados pelo processo de privatização e desculturalização do evento, seja por artistas, colaboradores da festa, turistas, comerciantes e pela população em geral. Um dos artistas que já se manifestou contrário ao modelo de condução do evento, adotado por Romero, foi o cantor Biliu de Campina, que lamentou sua exclusão da programação da festa nos últimos anos. “Eu não fui chamado, talvez, por não cantar forró e não representar a cultura, só pode. Meu nome não é Biliu de Campina, deve ser Biliu da Alemanha ou do Afeganistão.”
Escute o desabafo completo de Biliu de Campina sobre sua exclusão do São Joao:

Outro artista, de renome nacional, que questionou o modelo de São João defendido por Romero, foi o músico Alcymar Monteiro, que em vídeo divulgado na sua página do Facebook, que contou com milhares de visualizações, questiona o modelo adotado pelo prefeito para o evento. De acordo com o músico cearense, o prefeito Romero Rodrigues e sua gestão estão querendo acabar com o Maior São João do Mundo. “Querem acabar com a festa de São João, querem destruir toda nossa tradição. Alô minha gente querida! Eu sou Alcymar Monteiro e quero falar em nome do forró e dos artistas que compõem a trilha sonora do maior festival de inverno do mundo que é nosso São João. O São João está virando um festival de horrores”, disse o cantor.
Confira o vídeo completo no artista no link:
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1103586186414571&id=131833763589823

E não parou por ai: o cantor Genival Lacerda foi duro e direto na critica ao atraso no pagamento por show realizado no evento, durante a gestão de Romero: “Mande me pagarem para eu não esculhambar você (Romero)”, diz. O cantor, por suas redes sociais, começa o áudio dizendo que o prefeito Romero Rodrigues não respeita a sua pessoa. “Aqui é Genival Lacerda, um artista que você não teve consideração. Eu sou um dos artistas que levei o nome de Campina Grande para todo o Brasil. Já fui dez vezes na sua cidade, atrás desse dinheiro, e você me bota para falar com secretario, depois bota para outro e não me pagaram até hoje”, afirmou o artista, mostrando uma grande angustia com o prefeito tucano.

Quem não lembra da empresa Aliança, alvo da ‘Operação Fantoche’? – Outra critica constante por parte da sociedade e órgãos policiais é sobre a privatização da festa, promovida pela atual administração. Neste sentido, a gestão de Romero concretizou, por diversos anos, uma Parceria Publico Privada com a empresa Aliança Comunicação, que tem como dono o empresário Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, alvo principal e preso durante a ‘Operação Fantoche’, da Polícia Federal. Apesar do Prefeito Romero Rodrigues (PSD) ter alegado que jamais a sua gestão teria recebido qualquer ajuda do Ministério do Turismo (o que foi citado pela operação) para a realização dos festejos juninos, o portal da prefeitura o desmentiu. Veja também os elogios de Romero a empresa Aliança a época da formulação da parceria: https://www.maispb.com.br/215862/alianca-comunicacao-e-cultura-vai-administrar-o-sao-joao.html

Além disso, o contrato da Aliança com a PMCG determinava que todo custo operacional da festa seria do encargo operacional da empresa, o que não foi verificado, com base no site do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Os organizadores do São João no ano de 2017 procuraram o Mtur para que o mesmo investisse na divulgação da festa. Entre as ações previstas por meio do edital destacam-se press trips – visitas de jornalistas e influenciadores digitais aos destinos – encontro de negócios, inclusão da festa no Calendário de Eventos Juninos, transmissão ao vivo nas redes sociais do MTur, divulgação dos destinos e cobertura jornalística dos festejos. Matéria do site também do MTur comprova a parceria. http://www.turismo.gov.br/%C3%BAltimas-not%C3%ADcias/7871-campina-grande-abre-as-portas-do-maior-s%C3%A3o-jo%C3%A3o-do-mundo-3.html

O próprio secretário municipal de Desenvolvimento Econômico da época, Luiz Alberto Leite, referendou a parceria do MTur com a PMCG, em matéria no site da prefeitura. “O fato de Campina Grande contar com o apoio institucional do Ministério do Turismo e da Embratur para a divulgação do seu mais importante evento é uma demonstração da força turística do Maior São João do Mundo”, disse o secretário de Romero, a época . Veja no link: http://pmcg.org.br/ministerio-do-turismo-e-embratur-farao-divulgacao-nacional-do-maior-sao-joao-do-mundo/

Criticas vinham até de dentro da gestão – A crítica a esse modelo de privatização da festa adotado por Romero partiu até mesmo de auxiliares, dentro da sua própria gestão, que, ao criticarem publicamente essa ‘Aliança’ com essa empresa alvo de escândalos investigados pela Polícia Federal, foram afastados das suas funções. Um deles foi o ex-coordenador do São João, o advogado Temístocles Cabral, que demostrou à época, sua discordância com o fato. “Sou contra a terceirização. Isso demonstraria incapacidade. Nosso evento maior precisa de gestão e planejamento para viabilização e ainda de uma definição clara do prefeito do limite financeiro do evento e quanto a Prefeitura poderá bancar, honrar e fazer um ajuste geral de custos, da montagem, estruturas, artistas. O São João de Campina não precisa de agência porque seu maior mix é sua marca”, asseverou Temi, à época, em contato com um portal da capital.

Incêndio no Parque do Povo – Em 2018, em plena realização dos festejos em Campina Grande, aconteceu um incêndio na parte inferior do Parque do Povo, onde dezenas de barracas foram tomadas pelo fogo. Até agora, conforme a Associação dos Barraqueiros, esses comerciantes não foram ressarcidos pelo município, sendo apoiados somente pelo programa Empreender, do Governo do Estado.

Redução de shows e do espaço para ambulantes – Outros dois fatos criticados pela sociedade nesta gestão foram à redução dos shows no palco principal do Parque do Povo, durante o evento, de três para dois shows por noite; e a redução drástica de comerciantes dentro da festa, nos últimos anos, de cerca de 500 para 160.

O prefeito, que durante a campanha eleitoral de 2016 também prometia tirar o local do evento do Parque do Povo para as proximidades do ginásio O Meninão, também não cumpriu a promessa. Este local, onde fica instalada a Vila Sitio São João, se constitui num terreno de 25 mil metros quadrados doado “de mão beijada” para esta Casa de Shows, que tem como proprietário um dos filhos do vereador João Dantas (PSD), que integra sua base de sustentação na Câmara Municipal de Campina Grande. Vale ressaltar que a Vila Sítio São João é coordenada pela Fundação Cultural Museu Étnico do Nordeste (Funet), entidade condenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por gestão ilegal de recursos federais no ano de 2010. De acordo com o órgão, a Ferreira Produções, Locações e Serviços Eireli ME – Art Produções e Eventos, que recebeu pagamentos, também foi condenada. Juntos, devem devolver R$ 445.850,00 de recursos do Ministério do Turismo.

Outra critica constante se dá sobre os reajustes considerados exorbitantes nas taxas de utilização do Parque do Povo para proprietários de quiosques, o que gerou aumento nos preços cobrados nos produtos comercializadora na festa (bebidas e comidas), contribuindo para afastar turistas e campinenses do evento. Veja abaixo vídeos de turistas que mostram o esvaziamento do evento nos últimos anos: (https://youtu.be/AiiR8XatcHM), e (https://youtu.be/vKLe5FEVssw).

Recentemente, o vereador oposicionista Bruno Farias questionou a prefeitura sobre a privatização do evento. Segundo ele, a prefeitura deu “a preço de banana” a festa para a iniciativa privada. “Diversos barraqueiros foram expulsos da festa. Só falta a empresa cobrar ingresso para a entrada”, disse o vereador, em entrevista.

Abandono do evento nos distritos – Ainda sobre a gestão de Romero em relação ao São João, são constantes as criticas de moradores dos distritos (São José da Mata, Galante e Catolé de Boa Vista), em Campina Grande, que revelam que a PMCG abandonou as ornamentações e eventos nessas localidades.

No distrito de e Catolé de Boa Vista, por exemplo, não existe, segundo o morador José da Silva, de 42 anos, nem visita dos organizadores dos festejos juninos para anunciar algum investimento na localidade, que insira a comunidade no São João. “Queria dizer ao prefeito que nós também somos campinenses e merecemos ser inseridos na festa, como éramos no passado, com trios de forró, ornamentações e shows musicais”, disse.

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