AUMENTO DE ATÉ 61%: Vereadores de Guarabira ‘esquecem’ pandemia e votam por reajuste dos próprios salários e da equipe do executivo

O ano de 2020 será de eleição municipal (até segunda ordem) e geralmente os políticos com interesses em reeleição e eleição primam por um comportamento atuante e comprometido com a população. Um tipo de propaganda ativa, para deixar “fresca” na memória dos eleitores uma lembrança de trabalho e boa política.

Em Guarabira a Câmara Municipal parece apostar na falha de memória dos eleitores. Nesta terça (9) os vereadores aprovaram em primeira votação os Projetos de Lei Nº 34 e 35 de 2020, de autoria da mesa diretora, que tratam do aumento no salário do prefeito, vice, secretários e vereadores, com início a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Em tempos de pandemia, a prioridade do legislativo e do executivo parece ser reforçar os próprios salários.

Mesmo valendo a partir de 2021, a medida teve repercussão negativa. Vários sanitaristas e economistas já avisaram que mesmo após a pandemia desacelerar, sua repercussão pode atingir os próximos 18 meses.

A voz contra

Único vereador a votar contra os projetos e também pareceres jurídicos das Comissões de Constituição e Justiça e Finanças e Orçamentos, Renato Meireles (Cidadania) disse durante voto em sessão remota que “nem tudo que é legal, é moral”.

“Entendo que o momento requer uma postura diferente dos poderes públicos. Respeito quem pensa diferente, mas segui a minha consciência”, relatou o parlamentar em suas redes sociais.

O reajuste, aprovado por oito votos favoráveis e quatro contrários, estabelece em R$ 25 mil a remuneração do prefeito e R$ 12,5 mil a do vice, um acréscimo de 38,8% em relação aos antigos salários de R$ 18 mil e R$ 9 mil, respectivamente. Já os secretários municipais sofrem o maior aumento, cerca de 61,7%, deixando de receberem R$ 4.638,00 e passando para R$ 7.5 mil.

O salário dos vereadores sai dos atuais R$ 7,5 mil para R$ 10 mil, cerca de 33,3% de aumento. O presidente da Câmara passa a receber R$ 16,5 mil e não mais R$ 13.505,00, um reajuste de 22,1%.

Para Renato Meireles, o seu voto é de coerência pelo que já defendeu na Casa Osório de Aquino nos três anos e meio de mandato, como o não reparcelamento dos R$ 5 milhões do Instituto de Previdência e Assistência Municipal (IAPM), os votos contrários às reuniões de ouro da Superintendência de Transportes e Trânsito (STTrans), a cobrança da taxa de iluminação pública da Zona Rural, o posicionamento contra a negativação dos guarabirenses no SPC e Serasa e o aumento da taxa de iluminação pública.

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