Boni sobre demissões da Globo: ‘Tinham 10 que deveriam ser mantidos pro resto da vida’

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que trabalhou por 30 anos na TV Globo, conversou na manhã deste sábado, 17, com Catia Fonseca e Danilo Gobatto, no programa “Dom Bom e do Melhor”, da Rádio Bandeirantes, sobre diversos assuntos – inclusive a demissão em massa de grandes talentos, como Gloria Menezes e Tarcísio Meira, da emissora global.

“Tenho uma visão muito particular sobre isso. Essas pessoas vieram em 1967 a meu convite, acreditando em uma ideia, não por dinheiro. “Não considero essas pessoas contratadas da Globo, as considero sócias e investidoras da TV Globo, elas jamais poderiam ir embora.  Não é a TV Globo inteira, mas tinham dez, 15 pessoas ali, que teriam, sim, que ser mantidas pelo resto da vida lá”, disse.

Questionado sobre o futuro da televisão e uma possível substituição do meio pela internet, Boni defendeu sua sobrevivência através do jornalismo. “A internet é uma distribuidora, outra plataforma. O que importa é o conteúdo. Os grandes produtores de conteúdo como a Globo, a Bandeirantes, vão prosseguir. O meio não importa, o que importa é a mensagem (…). O jornalismo é a essência da televisão, ele que vai permitir que a TV exista por mais 70 anos”.

Boni ainda opinou sobre os reality shows, o futebol e a importação de programas internacionais. “Nós já fomos criadores de formatos. Eu mesmo participei da criação de dois, que foram exportados para o mundo inteiro: o ‘Você Decide’, que foi adquirido até pela BBC de Londres, e o ‘Fantástico’, que foi pra Itália e Europa inteira. Hoje, somos importadores de formato e isso é muito ruim, de certa forma te faz dependente da criação de fora, quando se deveria exportar. Isso me preocupa. É muito cômodo comprar um formato pronto, o que desestimula a criatividade”.

Reality shows

“Quando a TV se apaixona pelos reality shows vira um exagero. Só ‘MasterChef’ tem uns dez espalhados por aí. Tudo o que é cópia, da cópia, da cópia acaba cansando. Não sei por quanto tempo suportaremos os mesmos formatos”.

Futebol

“Acho um absurdo o que se faz com o futebol hoje, que se paga uma fortuna. Se paga mais caro pelos direitos do futebol, do que se consegue vender aos anunciantes. Isso é um absurdo, uma imposição do dono do formato contra você. É um dinheiro que não compensa, é perigoso. No meu tempo, dividia os campeonatos regionais e brasileiros com a TV Bandeirantes. Até o campeonato Mundial dividíamos. Eu achava importante a participação de outras emissoras para, em conjunto, negociar melhor e comprar esses direitos com base menor”.

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