FAMÍLIAS PAGAVAM R$2 MIL: Polícia Civil resgata idosos acorrentados em asilo clandestino após idosa fugir e denunciar maus tratos

Uma ação da Polícia Civil de Goiás resgatou ontem idosos mantidos em um abrigo clandestino no bairro Recanto das Garças, em Goiânia. Durante o flagrante, a investigação constatou vítimas presas em celas e amarradas em cadeiras, caracterizando possíveis crimes de tortura e maus-tratos. Quatro idosos estavam no abrigo que funcionava sem autorização para tratamento geriátrico e químico

. Os idosos tinham idade entre 62 e 102 anos. O caso chegou à Polícia Civil após uma das internas em tratamento químico fugir do imóvel e denunciar os maus-tratos à 2ª Delegacia Distrital de Polícia (DDP) do bairro Jardim Floresta, no município de Trindade, unidade mais próxima.

“Ela fez algumas imagens sobre a situação dos idosos, mas conseguimos recuperá-las. Fomos até o local e realmente se tratava de um abrigo ilegal. Existiam quatro idosos em visível situação de maus-tratos. Uma delas, com Alzheimer, estava amarrada em uma cadeira. Já outra, com problemas de relacionamento, era mantida em uma espécie de cela e fazia suas necessidades no próprio chão”, detalhou o delegado Alexandre Alvim, da DEIAI (Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso).

A Polícia Civil prendeu em flagrante um casal que se identificou como proprietários do abrigo: um homem de 67 anos e uma mulher de 57. Eles deverão responder pelos crimes de tortura, com pena entre dois a oito anos de prisão; e maus-tratos a idosos, com punição que varia de três meses a um ano.

A identificação dos suspeitos não foi revelada pela Polícia Civil. Em depoimento, eles negaram que sabiam que praticavam tortura e maus-tratos e argumentaram desconhecer as condições sanitárias necessárias para operar o abrigo.

O casal continua preso à espera de uma audiência de custódia na Justiça porque, segundo a polícia, o crime de tortura não permite o pagamento de fiança na delegacia para responderem em liberdade. “Eles afirmaram não saber das necessidades para regularizar o abrigo. Negaram a tortura, mas confirmaram que amarravam a idosa sob alegação de segurança, assim como a outra, em uma cela”, destacou o delegado

Famílias também podem responder

O próximo passo da investigação agora é buscar saber se os parentes que pagavam para manter os internos no abrigo conheciam das condições que submetiam os familiares no lugar. O valor mensal da internação variava entre R$ 1.045 e R$ 2 mil.

Não existia um critério para definição do preço, informou o delegado. Caso confirmado o conhecimento dos familiares sobre as torturas e maus-tratos, eles podem responder por abandono.

“Estamos em apuração para ver a participação das famílias, uma vez que eram mantidos no abrigo sob a condição de pagamento. Queremos saber se os parentes tinham ciência de tudo isso”, ratificou o delegado Alvim.

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