FORO ÍNTIMO: Eitel Santiago publica carta após demissão do cargo na Procuradoria Geral da República

O procurador-geral da República, Augusto Aras, oficializou nesta quarta-feira (5), a demissão do subprocurador Eitel Santiago do cargo de secretário-geral da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Desde o mês passado, subprocuradores pressionavam Aras para dispensar Eitel Santiago. Ele mesmo pediu exoneração e se afastou do cargo para tratamento de saúde.

No mês passado, em entrevista à CNN, o paraibano criticou abertamente a Lava Jato, citando possíveis ilegalidades do braço da operação no Paraná, disse. “Foi Deus o responsável pela presença de Bolsonaro no poder”.

Assume a Secretaria-Geral, que trata do orçamento do MPF, a subprocuradora Eliana Torelly, que vinha exercendo o cargo interinamente.

A demissão foi comunicada hoje por Aras num e-mail interno.

Leia carta escrita pelo paraibano

João Pessoa/PB, 04 de agosto de 2020.

Caro Augusto Aras.

Agradeço a oportunidade que me concedeu de prestar um serviço ao nosso País, exercendo a elevada função de Secretário Geral do Ministério Público da União.

No momento, por motivos de foro íntimo, decidi permanecer no meu Estado. Por isso, peço, em caráter irretratável, exoneração a partir desta data.

Respeitosamente,

Eitel Santiago de Brito Pereira

ENTENDA A POLÊMICA

Membro do MPF desde 1984, Eitel foi um dos primeiros nomes escolhidos por Aras para sua gestão na PGR. Em 2018, concorreu e perdeu a eleição para deputado federal — na campanha, aparecia num santinho com Jair Bolsonaro.

Na entrevista à CNN, Eitel disse que Sergio Moro é “extremamente vaidoso” e “fez vista grossa para ilegalidades cometidas em algumas investigações”.

“Não se conduziu, portanto, com a isenção que deve orientar a conduta de quem abraça a carreira da Magistratura e tenta entrar na política pela porta dos fundos”, afirmou.

Rodrigo Janot, acrescentou, foi dos procuradores-gerais “que mais cometeram ilegalidades”.

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