Latam vai começar a demitir ao menos 2.700 tripulantes no Brasil

A companhia aérea Latam anunciou nesta sexta-feira (31) que vai começar a demitir seus tripulantes. O corte deve atingir, ao menos, 2.700 profissionais, segundo a empresa.

A empresa tem cerca de 7.000 tripulantes, sendo 5.000 comissários e 2.000 pilotos. Devem sair aproximadamente 2.000 comissários e 700 pilotos.

O anúncio acontece após o fim da assembleia com o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas). A companhia havia feito uma proposta para alterar a política de remuneração, reduzindo definitivamente os salários, mas foi rejeitada.

A empresa já abre nesta sexta o processo de pedido de demissão voluntária, que deve ser feito até terça-feira (4). Depois disso, começam os desligamentos.

Em comunicado, a Latam, que enfrenta uma recuperação judicial, falou do impacto da pandemia sobre a indústria mundial de aviação e disse ser a empresa que oferece a maior remuneração aos tripulantes em voos domésticos e internacionais. A companhia vinha defendendo que, mesmo que fizesse uma redução definitiva no pagamento de seus profissionais, eles não ganhariam menos que os tripulantes da Azul e da Gol, suas concorrentes no mercado doméstico.

“A empresa tem a necessidade de equiparar seu modelo atual de remuneração às práticas do setor, haja visto, que historicamente, esta pauta foi objeto de negociação da empresa com o SNA e a atual crise da pandemia torna esta medida ainda mais imprescindível para a Latam.”

Na semana passada, já era esperado que a proposta da Latam não avançaria. Na segunda (27), quase 90% dos comandantes, copilotos e comissários rejeitaram. As negociações da empresa vinham difíceis desde o início do mês. Azul e Gol conseguiram fechar seus acordos com corte de salário temporário.

Ondino Dutra, presidente do sindicato dos aeronautas, afirma que todos perdem e que o desfecho das negociações mostrou que o objetivo da empresa era fazer uma redução de remunerações permanente, enquanto a categoria buscava preservar empregos e direitos.

“Enquanto muitos tripulantes perderão empregos, a empresa terá altos custos com pagamento de rescisões e, com seu quadro reduzido, estará menos preparada para uma retomada do setor aéreo”, afirma Dutra.

Mostre mais
Fechar