Na véspera da prisão, hacker responsável por ataques ao TSE indicou que poderia vazar dados do governo

Um dia antes de ser preso em operação da Polícia Federal e da Polícia Judiciária, de Portugal, o hacker apontado como o responsável por ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicou que poderia fazer um vazamento em massa de dados institucionais do Brasil. Zambrius, codinome usado pelo jovem de 19 anos, lidera o CyberTeam, grupo que também reivindica a autoria de invasões ao Ministério da Saúde e ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Em e-mail enviado à reportagem às 13h12 de sexta-feira, 27, o hacker chegou a comentar um suposto plano de invasão ao principal tribunal de segunda instância do Brasil e lançou a ameaça. “Dentro de algumas horas vamos realizar um vazamento em massa de dados institucionais do governo do Brasil. Os nossos hackers ‘controlam’ a maioria dos sites do governo do Brasil”, escreveu.

O CyberTeam diz agir com um propósito ideológico, que faz ativismo contra governos, sem preocupação com ganhos financeiros. Mas entre seus alvos também estão sites de pequenos comércios e empresas.

Como mostrou o Estadão, de 2017 para cá ao menos 140 sites brasileiros foram alvos do grupo. Só neste ano, 61 páginas foram atacadas. Os dados incluem apenas sites que sofreram alguma espécie de “pichação virtual”, ou seja, tiveram alterado o conteúdo disponível aos usuários.

Além de Zambrius, três hackers brasileiros foram atingidos pela operação “ex ploit”, nesse sábado, 28. Segundo a Polícia Federal, eles foram alvo de mandados de busca e apreensão, além de terem sido proibidos de manter contato com investigados, em São Paulo e Minas Gerais.

Ao todo, o Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, registra 21 mil notificações de possíveis ataques hackers no País em 2020. Em todo o ano passado foram 23 mil.

O alerta está no crescimento das vulnerabilidades encontradas em sistemas tecnológicos, segundo dados do GSI. De um ano a outro, as brechas que permitem a exploração maliciosa nos sistemas e nas redes de computadores saltaram de 1.201 para 2.239 ocorrências.

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