Para conter 2ª onda de covid-19, restrições de circulação devem voltar

Secretários de saúde e governadores de vários estados do Brasil afirmam, nos bastidores, que a segunda onda da covid-19 é uma realidade no país. E dados endossam esta constatação. Levantamento da Fiocruz mostra que há uma tendência de alta no número de casos em pelo menos 12 capitais brasileiras. Deste total, sete apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI exclusivos para a doença superiores a 80%, quando o ideal seria ficar abaixo de 70%.

As autoridades de saúde ouvidas por EXAME acreditam que nas próximas semanas vários estados e cidades vão adotar medidas de restrição de circulação e de atividades econômicas. Assim como na Europa, estas novas regras devem se concentrar principalmente em atividades de lazer, como bares e eventos que gerem aglomerações.

“O poder público precisa ter atenção. O processo de flexibilização tive muita falha, como no transporte público que não teve protocolos para evitar a aglomeração. É um lugar com alto risco, por ser fechado, sem boa ventilação”, explica Daniel Villela, pesquisador do Observatório Covid-19 e coordenador do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

“Na Europa ficou bem mais clara a primeira onda e a segunda onda. Aqui no Brasil o número de casos estava caindo, mas não chegamos a um nível baixo. Ainda estamos em um patamar alto de casos e de óbitos”, diz Daniel Villela.

No hospital Albert Einstein, em São Paulo, o número de internações de pacientes com covid-19 quase dobrou nas últimas semanas. Hoje, cerca de 95 leitos estão ocupados com pessoas infectadas pelo coronavírus. Outros hospitais particulares da capital paulista e de outras cidades vivem uma situação semelhante. A segunda onda da covid também já provocou uma super lotação em centros de saúde públicos em algumas capitais. No Rio de Janeiro, a taxa de ocupação de leitos de UTI nos hospitais públicos passa de 90%.

“Em certa medida, estamos observando aqui algo parecido com o que aconteceu na Europa”, diz o médico Sidney Klajner, presidente do Einstein. “Houve um descuido da população em relação às medidas de proteção contra a doença, até porque muitos achavam que as vacinas colocariam um fim na pandemia em alguns meses”.

Estados voltam a restringir atividades

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou na sexta-feira, 27, que o estado enfrenta uma segunda onda de coronavírus e que medidas de restrição serão impostas a partir da próxima semana.

“É um alerta que se apresenta para todo o estado, na mesma direção que está acontecendo em outros estados do Brasil. Estamos de fato vivendo uma segunda onda de coronavírus aqui no Rio Grande do Sul. Na segunda-feira, 30, o governo vai se encontrar com a federação das associações de municípios e estabelecer protocolos em função deste quadro que estamos vivendo. Vamos trabalhar para afetar o menos o possível a nossa economia”, disse ele em um vídeo publicado nas redes sociais.

O coordenador executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, disse que na terça-feira, 24, o comitê se reuniu e elaborou um documento que servirá de base para as decisões do governo do estado. E na recomendação há restrições em algumas regiões.

Os hospitais da cidade beiram ao colapso de atendimento. Nesta quinta-feira, 26, a taxa de ocupação dos 334 leitos de UTI SUS exclusivos para covid-19 estava em 94%, com apenas 19 leitos livres e a mais alta taxa em meses. Muitos hospitais privados ultrapassaram a capacidade de atendimento nesta semana e recusaram novos pacientes.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), disse na quarta-feira, 25, que existe a possibilidade de novo fechamento da cidade para conter casos do novo coronavírus e afirmou que daqui para a frente poderá prender quem desrespeitar as regras impostas pela prefeitura para impedir aglomerações.

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